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 Federico Herrero[San José, 1978. Vive e trabalha em San José]Wootyloop, 2012. Madeira e tinta. 
História

Federico Herrero

[San José, 1978. Vive e trabalha em San José]


Com formação em arquitetura, o costa-riquenho Federico Herrero utiliza principalmente a pintura como meio. Uma grande parte de seus trabalhos, assim como o que integra a mostra Além da Vanguarda, é realizada in situ: em espaços públicos como as fachadas de casas e prédios ou os muros da cidade, ou privados, como o interior de galerias ou outros tipos de edifícios, onde executa suas pinturas em diálogo próximo com a organização espacial do local. Caracterizadas por seu colorido vivo, normalmente dividido em unidades de formas abstratas e ao mesmo tempo fluidas e imprecisas, essas pinturas, em contraste com as rigorosas abstrações geométricas que caracterizam a arte latino-americana de meados do século XX, parecem quase brotar organicamente das paredes. Seu modo de existir seria portanto mais análogo à maneira desordenada e voraz com que a natureza luxuriante dos trópicos toma conta das construções nessas regiões do planeta. Se nos permitirmos, ainda, mais uma aproximação de ordem botânica, essas pinturas lembram, em alguns momentos, os desenhos dos projetos de paisagismo de Roberto Burle Marx, com suas linhas sinuosas e áreas de cores intercaladas em um conjunto de formas orgânicas.

Em certa medida, a prática de Herrero empresta características da tradição da pintura mural, prática associada principalmente aos artistas mexicanos da primeira metade do século XX, mas que encontrou ecos em diversos países latino-americanos, inclusive no Brasil. Porém, se por um lado compartilha com essa tradição um interesse em trazer a arte para mais perto de um público não especializado, que se depara com suas pinturas inadvertidamente nos espaços públicos, abstém-se de buscar propagar conteúdos políticos e ideológicos mais diretos, como era o caso dos muralistas originais.

No colorido das pinturas de Herrero, encontramos uma grande ressonância com a produção que vem sendo consistentemente apresentada nas Bienais Naïfs desde sua fundação. Sua presença nesta mostra busca potencializar o conjunto das obras selecionadas pelo júri, alegoricamente sugerindo que se descolem do plano bidimensional, transbordando-o e rastejando pelo chão, subindo pelas paredes e pelo teto do edifício e ocupando, finalmente, todo o espaço tridimensional do SESC Piracicaba.