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 Felipe Arturo[Bogotá, 1979. Vive e trabalha em Bogotá]Biblioteca de Arte Ambulante, 2010. Assemblagem ambulante.Felipe Arturo[Bogotá, 1979. Vive e trabalha em Bogotá]Los Exilios de Trotsky, 2009. Vídeo, 14 min. 
História

Felipe Arturo

[Bogotá, 1979. Vive e trabalha em Bogotá]


Desde 2009, o artista colombiano Felipe Arturo vem investigando os métodos construtivos empregados por camelôs de diferentes cidades latino-americanas. Ele nota como as arquiteturas efêmeras próprias de cada uma dessas cidades se desenvolveram a partir de complexos processos de políticas locais e das particularidades relativas à distribuição de alimentos e mercadorias entre os centros urbanos e rurais ou entre cada nação e o estrangeiro. O fenômeno do deslocamento populacional acarretado pelo comércio informal possui um inegável impacto sobre a configuração urbana de determinadas regiões, nas quais diariamente são erguidos e desmontados grandes centros comerciais ao ar livre, atraindo milhares de consumidores.

Devido a sua natureza temporária e, na maior parte das vezes, ilegal, a arquitetura desse tipo de comércio possui algumas características básicas. Em alguns casos, deve ser constituída de materiais relativamente leves, para que seja mais facilmente transportada e com técnicas simples e eficazes, que permitam uma ágil montagem e desmontagem. Os materiais devem ser invariavelmente fáceis de encontrar e de baixo custo, mas também devem ser duráveis e resistentes para suportar sua prolongada exposição às intempéries. Trata-se, assim, de uma arquitetura inteiramente fundamentada nas necessidades prementes desses grupos de trabalhadores informais, não apenas calcada em princípios acadêmicos e portanto informada por um saber popular vivo.

Em São Paulo, assim como em outras grandes cidades latino-americanas, a atividade diária dos camelôs acontece em grande escala, e é justamente ali que Arturo realizará uma pequena residência a fim de produzir uma nova comissão para Além da Vanguarda a partir de suas pesquisas sobre os métodos construtivos dos camelôs locais. Apropriando-se dos materiais e das técnicas construtivas aprendidas junto aos camelôs da cidade de São Paulo, o artista construirá um ambiente temporário, cuja configuração final será desenvolvida nas semanas que antecedem a exposição. O trabalho deverá ocupar, pela primeira vez na história da Bienal Naïfs do Brasil, a grande varanda adjacente ao salão expositivo do SESC Piracicaba, criando uma área de observação e pausa que conecta o interior do edifício às áreas dedicadas ao lazer e ao esporte que se localizam na parte anterior do terreno.