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 Montez Magno[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]Da série Barracas do Nordeste, 1972. Óleo sobre duratex, 80×100 cm.Montez Magno[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]Da série Barracas do Nordeste, 1972. Óleo sobre duratex, 80×100 cm.Montez Magno[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]Da série Fachadas do Nordeste, 1996. Acrílica sobre papelão, 47×56 cm.Montez Magno[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]Da série Fachadas do Nordeste, 1996. Acrílica sobre papelão, 47×56 cm.Montez Magno[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]Da série Teares de Timbaúba, 1998. Lápis de cor e pastel a óleo sobre papel Fabriano, 54,5×72 cm.Montez Magno[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]Da série Teares de Timbaúba, 1998. Lápis de cor e pastel a óleo sobre papel Fabriano, 54,5×72 cm. 
História

Montez Magno

[Timbaúba, 1934. Vive e trabalha em Recife]


Com uma trajetória de seis décadas, o artista pernambucano Montez Magno possui uma obra extremamente complexa e diversificada que se desdobra em diferentes meios e pesquisas. Interessam-nos, particularmente, no âmbito da exposição Além da Vanguarda, as investigações do artista em torno da geometria da arte popular, que se inicia em 1972 com seus estudos para o primeiro ciclo da série Barracas do Nordeste, da qual apresentamos três exemplares nesta mostra. Cabe citar aqui o trecho de uma carta do artista selecionado por Clarissa Diniz em seu ensaio publicado na monografia do artista lançada em 2010, na qual ele explicita o objeto de sua pesquisa:

“[...] Grande parte do meu trabalho atual é baseado em coisas daqui mesmo, do Recife, do Nordeste, mas os próprios recifenses não percebem isso. Estou fazendo uma pesquisa ou estudo do lado esquecido e omitido da arte popular brasileira: o lado abstracionista. É incrível o que o povo faz em termos de abstração geométrica. Estou documentando com slides as diversas modalidades da expressão abstrato-geométrica: barracas de festa e de feira cobertas de retalhos, carroças de sorvete, de pipocas etc.; portões de garagens e outras coisas que vão aparecendo. É fantástico, e você encontra às vezes coisas de op-art, de concretismo e de construtivismo, tudo isso feito na mais santa ignorância e ingenuidade, mas com um agudo e intuitivo senso de cor e de construção. É dessas coisas que atualmente extraio material para o meu trabalho”.

Suas Barracas do Nordeste, com suas formas geométricas imprecisas e vivamente coloridas, oscilam entre abstração e figuração, já que retêm a conexão formal com seu referente, por vezes até mesmo apresentando indicações sobre o contexto de onde foram retiradas. As duas outras séries representadas nesta mostra também se valem de uma aproximação com o popular, embora busquem soluções formais distintas. Em Teares de Timbaúba, o artista privilegia as explorações das possibilidades geométricas da linha, experimentando diferentes traçados com lápis e pastel a óleo sobre o fundo neutro do papel, produzindo assim um resultado mais sóbrio. A série Fachadas do Nordeste, por sua vez, consiste de pinturas em acrílica sobre papelão, em pequeno formato. Dessa vez, tomando a arquitetura popular como motivo, cor e linha parecem possuir peso equivalente.