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 Thiago Rocha Pitta[Tiradentes, 1980. Vive e trabalha em São Paulo]Herança, 2007. 16 mm transferido para vídeo, 11\'. 
História

Thiago Rocha Pitta

[Tiradentes, 1980. Vive e trabalha em São Paulo]


Em seu ensaio intitulado “Sobre como domesticar o imprevisível”, publicado por ocasião da mostra Notas de um Desabamento, de Thiago Rocha Pitta, ocorrida nas Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 2010, Felipe Scovino sugere que “a obra de Pitta sempre se manifesta como uma pintura de paisagem, independentemente do suporte com o qual trabalha ou do sentido de invenção que constrói”. E continua: “Uma paisagem que se modifica ao mesmo tempo em que essa pintura se questiona se ela continua sendo pintura ou amplia a sua pesquisa para outros campos de produção poética”. A possibilidade de mobilizar o tema das pinturas de paisagem no âmbito da arte contemporânea e dentro do contexto da exposição Além da Vanguarda é um dos interesses dessa curadoria, já que se trata de um gênero recorrente ao longo da história da Bienal Naïfs do Brasil.

Aqui, apresentamos o vídeo Herança de Rocha Pitta, no qual avistamos um pequenino barco de madeira que, formando uma imagem quase surrealista, carrega em seu interior um par de árvores em meio ao alto-mar. Por vezes mais próxima ou mais distante da câmera que a registra, essa inusitada assemblage de árvores-barco flutua indiferente, sem rumo ou intenção de alcançar a terra firme, já que constitui, ela própria, um território. Acompanhamos sua trajetória débil sem a expectativa de um desfecho ou de uma narrativa, deixando-nos levar pela própria duração do evento. Somos entretidos apenas pelas mudanças no enquadramento causadas pela relativa distância ou proximidade da embarcação. Ela, contudo, segue flutuando como uma enigmática oferenda, plena de um simbolismo próprio que não somos capazes de decifrar.

Scovino atenta para a economia de imagens na obra de Rocha Pitta e de como sua supressão do excesso de “ruídos” externos permite o aparecimento e a manifestação de uma história interior, intimista. No caso de Herança, o que ele acrescenta às representações tradicionais da paisagem é apenas o dado temporal, que solicita um momento de contemplação no desenrolar do tempo presente.