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 Tonico Lemos Auad[Belém do Pará, 1968. Vive e trabalha em Londres]Sleep Walkers, 2009. Dezessete lanternas costuradas individualmente, dimensões variáveis.Tonico Lemos Auad[Belém do Pará, 1968. Vive e trabalha em Londres]Sleep Walkers, 2009. Dezessete lanternas costuradas individualmente, detalhe.Tonico Lemos Auad[Belém do Pará, 1968. Vive e trabalha em Londres]Sleep Walkers, 2009. Dezessete lanternas costuradas individualmente, dimensões variáveis.Tonico Lemos Auad[Belém do Pará, 1968. Vive e trabalha em Londres]Sleep Walkers, 2009. Detalhe. 
História

Tonico Lemos Auad

[Belém do Pará, 1968. Vive e trabalha em Londres]


Em seus trabalhos, Tonico Lemos Auad parte de materiais mundanos para construir objetos, esculturas e instalações que geralmente dependem de um equilíbrio delicado para existirem. Dentro do âmbito do comum e do irrisório, o artista opera deslocamentos silenciosos que potencializam o valor simbólico latente de formas e elementos que nos passam despercebidos, tornando-os preciosos e permanentes. Tais operações invariavelmente envolvem um labor manual específico característico de certas regiões ou culturas e associado a materiais e técnicas tradicionais que são passadas de pais para filhos através dos séculos. Em sua obsolescência perante a sociedade de produção em massa, muitas dessas técnicas encontram-se hoje quase extintas, fazendo com que o trabalho de Auad envolva também uma pesquisa extensiva e uma negociação com cada artesão envolvido.

Para Além da Vanguarda, o artista produziu um conjunto de cinco objetos que fazem parte de sua série Sleep Walkers (“Sonâmbulos”), apresentada pela primeira vez no MuHKA, em Antuérpia, Bélgica, em 2009-10. Esses objetos são cuidadosamente confeccionados utilizando rendas de diferentes procedências, que o artista adquire já prontas, mas que devem ser então transformadas em elementos tridimensionais em forma de frutas ou legumes. Nesse longo e trabalhoso processo, que exige extrema precisão e esmero, uma renda portuguesa, por exemplo, com sua trama mais grosseira é cortada e emendada, fio a fio, com uma delicada peça de renda inglesa ou com uma peça de renda brasileira, de modo que a passagem de uma para a outra se torna quase completamente imperceptível. O olhar atento percebe as nuances na passagem de uma trama para a outra, que expõe as pequenas porém significativas diferenças que revelam não apenas a passagem de um saber através das diferentes culturas, como também as adaptações sofridas por essa técnica em cada país ao longo dos anos. Essas frutas e verduras de renda, assim como lustres, pendem do teto e são iluminadas por dentro, o que nos permite observar todos os detalhes de sua superfície. Contudo, caracterizadas pela imprecisão do fazer manual que lhes confere um aspecto orgânico, elas parecem brotar do teto, como plantas exóticas que resultam de algum cruzamento inusitado entre sementes tropicais e europeias.