Naif

Apresentação

Naïfs do Brasil: as cores dos significados

Danilo Santos de Miranda

Diretor Regional do SESC São Paulo

Na Paris modernista do início do século XX, o termo naïf (do francês, ingênuo) ganhou evidência no campo das artes. Ao se liberar a arte do acondicionamento restrito de museus e galerias, outras obras realizadas por artistas sem formação acadêmica passaram a ser apreciadas. Esse pensamento repercutiu em seus pares brasileiros, a partir da década de 20, de modo a sinalizar maior abertura de diálogo entre o universo da chamada arte erudita ao da denominada arte popular.

Passados quase cem anos desse contexto, cabe-nos perguntar em um mundo cada vez mais afeito às novas tecnologias, quais os possíveis significados que a palavra naïf pode adquirir hoje, em um panorama carregado de excesso de informação. Lembremos que a arte talvez seja a forma de expressão que melhor retrate – muitas vezes beirando as previsões – as alterações de percepção do humano no mundo em constante mudança.

A permuta de significado entre a cultura popular e a erudita ganha cores atuais que permitem a inclusão de novas tonalidades. Outras soluções artísticas são buscadas como reflexo de um mundo em que o rural perde vez para o urbano, mas que mantém seus códigos e força imaginativa na arte produzida espontaneamente. Nesse sentido, a arte estimula nossa sensibilidade, permitindo-nos interrogar qual tipo de sociedade procuramos refletir e por vezes questionar.

Sem precisar recorrer a categorias redutoras, como o binômio “arte popular/arte erudita”, a décima edição da Bienal Naïfs do Brasil - iniciativa do SESC São Paulo - constitui evento que promove uma discussão sobre essa manifestação popular e suas possíveis significações.

Para o SESC São Paulo, o intuito de ampliar a educação para o olhar, nos territórios do perceptivo e do emocional propiciados pela arte, reafirma seu compromisso com a difusão cultural voltada para o exercício da fruição estética, do pensamento e da transformação social. Atingir mais cores na paleta do imaginário visual reitera uma sensibilização que nos permite vislumbrar os conteúdos simbólicos presentes no coletivo que emanam da arte e convidam para um voo em busca de variadas interpretações.

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